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Voto: um exemplo de cidadania

Este ano, vamos eleger os representantes do Executivo e Legislativo de nossa cidade. Muita gente não gosta sequer de ouvir falar em política; porém, desde que o homem deixou de ser nômade, ela se tornou necessária, para que todos pudessem discutir os problemas das cidades.Atualmente, a palavra política quase sempre é entendida como sinônimo de corrupção, o que é um erro grave. Escândalos como o do “mensalão”, as privatizações dos últimos anos e as desigualdades sociais têm contribuído muito para que política e corrupção sejam confundidas.

Mas o fundamento político é o interesse da coletividade, não do particular. É claro que muitos candidatos não têm consciência disto, mas cada cidadão é responsável pelo país que ajuda a construir. Os jovens tiveram uma atuação importante na conquista do direito de votar no Brasil. Vários deles, inclusive, combateram pela democracia até a morte. Mas uma parcela significativa da nossa juventude não acredita mais em possíveis melhorias. Talvez nem os adultos.

A matéria que selecionamos foi publicada na Folha Online em 29/08/2008 e traz uma preocupação para as futuras gerações: a redução do número de adolescentes eleitores. Acompanhe a seguir.

Número de eleitores com 16 e 17 anos diminui 20%

O número de jovens com 16 e 17 anos que tiraram títulos de eleitor caiu 20% entre as eleições de 2004 e a deste ano. Para quem tem essa idade, o voto não é obrigatório. No pleito de outubro, irão às urnas 2,9 milhões de eleitores com 16 ou 17 anos. Em 2004, eram 3,6 milhões de adolescentes. O número atual é inferior ao das eleições de 1992, a terceira após a entrada em vigor da permissão de voto a menores de idade e a primeira da qual a Justiça Eleitoral mantém os dados relativos aos eleitores adolescentes. Naquele ano, quando a população do país era menor, havia 3,2 milhões de eleitores nessa faixa.

O desinteresse é maior nos Estados do Sudeste --no Nordeste a participação proporcional dos adolescentes dobra. A queda ocorre apesar de campanhas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e de organizações estudantis de estímulo ao registro dos eleitores.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas diz que o jovem não se vê representado pelos candidatos. "O sistema político não fala a linguagem da juventude. É algo que parece muito formal, muito quadrado", diz o presidente da entidade, Ismael Cardoso, 21. Ele, porém, afirma que a juventude "quer participar" da política.

Neste ano, União dos Estudantes organizou uma campanha chamada "Se liga, 16" para incentivar o registro de jovens eleitores. Em Minas Gerais, a entidade levou cartórios itinerantes a escolas para que estudantes fizessem o título. Partidos políticos também fizeram campanhas pela participação dos jovens pelo país.

O total de eleitores de 16 e 17 anos representa uma recuperação em relação às eleições de 2006, quando 2,5 milhões votaram, mas é uma queda em comparação com o último pleito municipal, há quatro anos.

No Maranhão, os adolescentes somam neste ano 4,3% do eleitorado, enquanto nos Estados do Sudeste são 1,5%. A cidade de São Paulo tem menos da metade do número de jovens eleitores de Pernambuco, que tem menos habitantes.

A cientista política da UnB (Universidade de Brasília) Lúcia Avelar, que pesquisa participação política, diz que o dado é conseqüência de um descrédito dos adolescentes com a questão ética. "[Para os jovens,] a orientação é menos ideológica e mais substituída por valores éticos." Ela diz, porém, que vem crescendo a participação da população em associações e grupos com objetivos políticos.

Para Avelar, a reduzida participação de um segmento onde o voto é facultativo projeta que o comparecimento dos eleitores seria muito menor se eles não fossem obrigados a votar.

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